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RESENHA DE TEATRO: A CIDADE DOS RIOS INVISÍVEIS

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 30 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 3 de mai. de 2019


Finalizando a trilogia das águas, a companhia teatral Estopô Balaio apresenta o espetáculo A Cidade Dos Rios Invisíveis, a peça tem uma pegada muito cativante desde o início, pois foge do convencional, a apresentação começa dentro de um vagão de trem, que sai da região central com destino ao extremo leste paulista, ao entrar no trem todos os espectadores recebem fones de ouvidos onde iremos durante todo o percurso ouvindo depoimentos, música e poesias que, retratam as histórias dos bairros que estamos percorrendo, só que o mais surpreendente é o destino final o bairro Jardim Romano( muito conhecido pelos constantes alagamentos, que deixam muitas famílias desabrigadas).

O intuito do espetáculo é dar voz ao pedido de socorro dos moradores que sempre foram ignorados pelos governantes, e também atrair o olhar de diversas partes da cidade para esse povo esquecido. Isso dá origem ao nome do espetáculo, A Cidade Dos Rios Invisíveis inspirado na obra literária do mesmo nome. A peça tem uma sensibilidade ao abordar o sofrimento dos moradores, que por várias vezes tiveram suas residências alagadas, perderam familiares, contraíram doenças por causa das enchentes, e essa cena se repete a anos e nada é feito para solucionar ou amenizar o problema.

Idealizada pelo diretor João Batista Junior, o espetáculo conta com um elenco muito competente, pois tanto os atores quanto os espectadores enfrentam uma maratona de 4 horas percorrendo as ruas do bairro, com a finalidade de mostrar com mais detalhes a quão sofrida e ao mesmo tempo alegre e esperançosos são os moradores. Eles não estão pedindo muito, eles estão pedindo o básico que todo cidadão merece que é o respeito por parte das autoridades.

Através de diversos relatos e participações da população durante a peça, podemos perceber o quanto o teatro é importante para a sociedade lutar pelos seus direitos, enquanto a grande mídia e os governantes ignoram, o teatro da voz, da esperança, da estimulo para seguir. Vale destacar que não são somente as autoridades que tem culpa em relação as enchentes, a população também tem que se conscientizar mais, pois o rio está apenas devolvendo o que lhe foi dado, a população mata o rio e o rio contra-ataca sem piedade. Uma das maiores ignorâncias da humanidade é medir forças com a natureza, ela é soberana necessitamos dela para sobreviver, então porque não cuidamos?

Para finalizar foi uma sacada de mestre do diretor unir, a arte cênica, música, poesia e depoimentos, transformando algo muito triste em uma experiência muito gostosa de ser apreciada, o final da apresentação é o mais maravilhoso, após toda a caminhada chegamos ao destino final que é o rio juntamente com o pôr do sol, apesar do rio estar totalmente poluído a imagem final é belíssima, desperta a vontade de mudar aquele cenário, imagina como seria mais lindo ainda se não tivesse tanto lixo nas águas do rio, a peça deixa a esperança e a vontade de fazer com que um dia isso aconteça.

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